TEMPUS FUGIT


SURREALISMO REAL

 

  SURREALISMO REAL

 

 

Nove horas da manhã. Ônibus cheio mas não lotado, um ou outro passageiro de pé. Pessoas que iam ao centro da cidade fazer pagamentos, compras Ou cuidar de algum interesse em uma repartição pública ou banco. Súbito, numa das paradas habituais daquela linha, sobe um elemento que vai logo apontando o 38 para os passageiros.

- Olhaê, isso é um assalto. Vão logo passando dinheiro e celular.

Assustados, os passageiros vão entregando seus pertences ao ladrão que, acostumado ao seu ofício, recolhe tudo rapidamente, enchendo os bolsos.

Manda o motorista parar o ônibus. Vai descendo, para grande alívio dos passageiros. Já no segundo degrau, muda de idéia.

- Ah, ia esquecendo! Hoje é meu aniversário. Todo mundo aí cantando Parabéns pra mim.

Incrédulos, os passageiros entendem que não se trata de brincadeira, porque o 38 continua apontado para todos.

E, superando a humilhação extrema, cantam mesmo “Parabéns pra você, nesta data querida!”

O ladrão ouve, sorrindo, satisfeito.

-É isso aí!

E desce do ônibus calmamente, como se nada tivesse acontecido.

 

A cena surreal não é ficção. Aconteceu mesmo, aqui em Recife, numa das linhas de ônibus de um subúrbio densamente habitado da cidade.



Escrito por Kli às 13h17
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                                                          EM QUE SÃO DIFERENTES OS TIRANOS?

 

Pra entender e sentir melhor o que aconteceu no Brasil  com os dois lutadores cubanos que pretendiam deixar seu país, imaginemos a hipótese de serem devolvidos e considerados traidores atletas como os dois Ronaldinhos, por exemplo, que deixaram o futebol brasileiro há anos, para ganhar mais dinheiro no futebol europeu. Ou impedir-se Janeth de participar da NBA feminina, nos Estados Unidos. São inúmeros os casos de atletas brasileiros que procuraram melhores condições de trabalho em outros países.

Nem é preciso ir tão longe. Basta pensar nos milhares de brasileiros que têm saído do país em busca de melhores dias em Portugal, por exemplo.

Seria considerado absurdo tolher esse direito de ir e vir, garantido constitucionalmente.

No entanto, o governo brasileiro, traindo toda a tradição brasileira de solidariedade, resolveu,  às escondidas, num fim de semana, deportar dois atletas que simplesmente pretendiam deixar o “paraíso” de Fidel. A conduta do nosso (des) governo nos envergonha e mancha o país com a inevitável punição que esses dois jovens receberão em Cuba. Em artigo publicado ontem, Fidel Castro garante que os rapazes não serão mortos nem receberão prisão perpétua. Nem mesmo seriam presos, segundo ele: ficariam numa “casa de visita”, eufemismo novo, certamente, para prisão.  Não poderão mais fazer aquilo de que mais gostam: lutar boxe. Em vez disso, prestariam serviços comunitários.

O crime do campeão olímpico GUILLERMO RIGONDEAUX, de 25 anos e do campeão mundial ERISLANDY LARA, de 24 anos,  não foi sequer o de insurgir-se contra o regime tirânico de Fidel. Eles apenas queriam o inimaginável para um cubano em sua terra:  liberdade.

Os mesmos petistas que choraram assistindo ao filme Olga, em que a mulher de Carlos Prestes é deportada para morrer na Alemanha nazista, esses mesmos petistas calam-se vergonhosamente diante do crime praticado agora contra os dois atletas. Em que diferem as duas situações? No caso de Olga, houve tempo, houve defesa, embora pífia, é certo, mas ela teve direito a advogado e a processo. Os dois rapazes não tiveram sequer os 30 dias que lhes confere a lei para apresentarem seu pedido formal de asilo.  Localizados em Araruama, terra da nossa Tetê, onde estavam sendo monitorados, “a pedido de Cuba” (!) foram conduzidos pela PF para um local em que ficaram reclusos até o momento da viagem de volta a Cuba.  Como se estivéssemos em Cuba, e não num país que se diz democrático,  foram impedidos de qualquer contato com a imprensa.

Do México,  usando o habitual cinismo petista, Celso Amorim teve a cara de pau de dizer que os rapazes manifestaram o desejo de voltar a Cuba. Faça-me o favor! Isso já beira o deboche.

Nisso tudo, onde ficaram as Ongs de direitos humanos? Onde ficou o Ministério Público? Onde estava a OAB?

 



Escrito por Kli às 10h01
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